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domingo, 12 de agosto de 2012

Autógrafo

-... é isso aí, obrigado gente!
   Finalmente. Depois dos aplausos, os murmurinhos recomeçaram, as pessoas se levantaram e era agora o momento pelo qual ela tanto esperara. Planejou, pensou e imaginou esse momento por semanas na cabeça, e a cada vez ele acontecia de forma diferente. Mas nem em seus mais sombrios devaneios, aquele momento transcorrera como na realidade.
   Levantou-se e ficou frente a frente com ele, câmera em mãos, sem coragem de sequer pronunciar o seu nome. Simplesmente ficou lá, em pé, parada, esperando pelo momento em que ele tiraria fotos, daria autógrafos e conversaria. Mesmo que ela não conseguisse dizer nada diante dele, um autógrafo e uma foto seria mais do que suficiente, mesmo que o autógrafo não tivesse destinatário.
   Olhava fixamente para ele e tinha certeza de que, por uma fração de segundo, seus olhos se encontraram. Os olhos dele continuaram a zigue-zaguear pela sala enquanto os dela continuaram fixos, agora com a cabeça latejando por causa do sangue que o coração bombeava desesperadamente, fazendo sua blusa pular levemente a cada batida.
   E então seu coração parou.
   Ele se virou e, com um sorriso falso no rosto, foi embora. Simples assim. Uma porta se abriu atrás da mesa de conferência onde ele havia respondido às perguntas e ele entrou. A porta se fechou, e ela ficou sem reação por alguns instantes.
   Quando a ficha caiu, ela chacoalhou a cabeça só para garantir que não imaginava coisas. Começou a abrir caminho entre a multidão que agora conversava entre si, com expressões satisfeitas nos rostos, como se o autor não tivesse contrariado tudo o que ele defendia em seus livros. Os outros sempre foram estranhos a ela. Os outros deixavam barato, ela não.
   Chegou ao seu carro e quebrou dezenas de limites de velocidade, dirigindo frenéticamente até chegar ao local que ela tão bem conhecia. Parou em um lugar mal iluminado e esperou em frente a uma das casas que ele possuía. Sabia que era para lá que ele ia para os fins de semana, quando queria levar uma vida normal, e talvez fosse uma das únicas pessoas que soubessem. Uma pequena casa idêntica a todas as outras do quarteirão, cercada por um bar em uma esquina e um beco no outro.
   Esperou, com a tensão que a acompanhava sempre que ela o vigiava. Tinha um de seus livros na mão, como sempre. Tudo o que ela queria era um autógrafo. E um sorriso. Um sorriso que fosse apenas dela.
   Ele devia ter parado em algum clube, pois não chegou antes das três e meia da manhã, caminhando trôpego com as mãos no bolso. Não se surpreendeu. Era comum ele beber tanto a ponto de não saber mais onde morava, e mesmo quando o taxista chegava ao local que ele dissera ser sua casa e ele via que não era o lugar certo, ele não falava nada. Descia do táxi e seguia a pé, de cabeça abaixada, geralmente parecendo assobiar uma canção.
   Ele passou em frente ao seu carro, o coração acelerou, ela apertou o livro contra o peito e abriu a porta do carro. Iria pegar o seu autógrafo. E o sorriso.
   Dois dias depois o corpo foi achado no beco perto da sua casa. A notícia repercutiu por todo o mundo. Fotos circulavam pela internet do autógrafo que pintava as páginas já amarelas do livro com uma caligrafia quase ilegível.
   “Com muito amor e paixão, para a minha maior fã de todas,” E acabava aí. O autógrafo não estava destinado a ninguém.
   Mas não pense que a culpa era dela, não. Ela não teve tempo sequer de dizer o seu nome.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Tique taque

   Luíz Fernando era um cara normal. Tinha vinte e sete anos, ensino superior, uma noiva e muitas contas para pagar. A vida era dura consigo, e sua rotina se resumia a ir ao trabalho, chegar em casa, dar boa noite ao William Bonner e dormir. E era isso o que ele fazia naquela noite até agora. Sua noiva fora viajar para a casa da sogra no interior e as pilhas fictícias de papel que o aguardavam no escritório não podiam esperar. Conseguiu finalmente o fim de semana livre com o qual tanto sonhara. 
   Era um sábado e ele não fizera nada o dia inteiro. Se contentou em se sentar na varanda e abrir uma latinha de cerveja, uma após a outra. Fazia muito tempo que ele não fazia nada. E convenhamos, não fazer nada é a melhor coisa que existe para se fazer.
   O sono estava tranquilo. Em seus sonhos os homens eram alegres e as mulheres vestiam saias extremamente curtas. E talvez por isso ele acordou tão furioso quando aquele barulho pequenino, insignificante, quase inexistente o acordou. tic, tic, tic...
   Desde pequeno odiava o barulho do relógio. Aquele tic, tac, tic, tac... O pior era quando era só tic, tic, tic... Como naquela noite. Pensou ter ouvido um barulho. Não o tic, tic, mas o de uma porta rangendo lentamente ao longe e depois o silêncio. Pensou se não seria a cerveja surtindo efeito. Pensou ter ouvido uns passos e lembrou da feijoada, mas não ousou levantar para ter certeza. Luíz Fernando poderia ser um cara comum, mas seu medo era extraordinário. Ele se virou para a parede cobrindo-se com o cobertor até o pescoço sem se importar com o calor. Fechou os olhos e tentou dormir. O barulho de portas rangendo e passos ecoando pelos corredores desapareceram, mas não o tic-tic-tic.
   Suor escorria pelo seu rosto enquanto ele estava embrulhado no cobertor sentindo a raiva começar a dominá-lo. Tic, tic, tic...
   Era isso. Não aturaria mais aquele absurdo. Era o seu fim de semana livre e ele não deixaria um relógio insignificante estragá-lo. Estava prestes a se levantar quando se lembrou de que na verdade não tinha relógios analógicos em casa.
   Arregalou os olhos, mas já era tarde demais.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Contos de terror, Volume menos um.

   Ele dormia placidamente quando o barulho começou. Alguém batendo na porta, passos fazendo o assoalho ranger e o vento assobiando melancólicas melodias.
   Ele acordou com o coração acelerado, a respiração ofegante e com suor escorrendo pelo seu rosto. A porta do seu quarto estava fechada. Os barulhos cada vez mais próximos. As batidas. Os passos. O vento. Tudo soando a um só tempo.
   A luz do quarto estava apagada e ele sabia que o momento estava chegando. Com os olhos apertados, tentou discernir qualquer coisa que lhe pudesse ser útil, mas tudo o que conseguia ver era o contorno de objetos, sombras que poderiam ser qualquer coisa ou não ser nada.
   Pensou nos pais, na irmã e nos amigos de infância. Estranhamente, a lembrança de seu professor mais chato, implicante e autoritário veio à sua cabeça. Talvez isso fosse a prova de que ele sabia que iria para o inferno e o encontraria lá. Pelo menos ele também vai estar lá, pensou. Depois percebeu que na verdade isso não era uma coisa boa. Passaram imagens de sua primeira namorada, de sua primeira esposa e do seu chefe. Um pôr do Sol, um navio partindo no horizonte e bonecos falantes na TV. Uma sucessão de cenas se passava diante de seu olhos e ele as assistia indolentemente. Era como ver algo sem prestar atenção. As cenas passavam sem deixar marcas e isso o deixava cada vez mais aturdido. Será que eu não tenho coração? O dia de minha formatura, minha primeira namorada e o meu primeiro salário, será que isso não significa nada para mim? Que tipo de monstro eu sou? Quando se deu conta de seus pensamentos, tratou de cortá-los e esperar pacientemente pelo momento final.
   Ele conhecia o barulho, os passos agudos no carpete e o vento que prenunciava sua chegada. Cada vez mais alto e mais perto, o barulho foi chegando. Uma luz foi acesa e ele pôde vê-la pelo vão da porta. Estava perto demais. Não adiantava se dar ao trabalho de tentar se proteger.
   Se lembrou da janela que ficava ao lado de sua cama e correu para abri-la. Morava no terceiro andar. Caso visse que o pior estivesse prestes a acontecer, ele se jogaria. Sim, era um bom plano.
   Aproveitou a luz da lua que entrava, fraca e sorrateira pela janela e lançou um último olhar para o céu estrelado. Nunca o tinha visto tão grande, tão bonito e colorido. Provavelmente apenas o efeito da sua chegada. Deixou para lá suas indagações filosóficas sobre a iminência de morte e seus efeitos sobre os sentimentos humanos e deu uma última inspirada, sugando o máximo que podia do ar gélido da noite.
   Era chegada a hora. Dois pontos de sombra se projetavam na luz que invadia a soleira da porta. Viu a maçaneta começar a se virar, lentamente, exatamente igual aos filmes.
   Abriu bem os olhos e se preparou para o pior. A porta se abriu, a luz invadiu o quarto e ele viu.
   Seu pior pesadelo. Em vão foram todas as suas expectativas de escapar. Agora não havia mais tempo.
 - Carlos Augusto, quantas vezes eu já não te disse? Olha só esse banheiro, encharcado. Será que você não sabe se secar no box? E as roupas jogadas? Compramos o cesto para quê? Olha, sinceramente eu não sei como eu te aguento hein.
   Eu também não, pensou ele enquanto aproveitava o fato de que sua esposa estava se trocando no banheiro para se dirigir pesarosamente para a janela. Ficou em pé na cama e pensou em deixar um bilhete para sua mãe. Pegou uma caneta na gaveta e ia começar a escrever quando os passos voltaram a ecoar pelo quarto.
   Não teve escolha. Deixou tudo como estava e correu até a janela.
   A queda foi mais rápida do que ele imaginara e logo estava no chão. Não sentia dores. Tudo o que sentia era alívio.
   Sem nunca mais precisar sair no meio do happy hour com os amigos, sem precisar fazer mil e uma acrobacias para jogar uma simples pelada com a galera ou fazer contorcionismos para enxergar aquela maravilha que Deus criou passando de saia, despreocupada. Tudo isso era coisa do passado. Era finalmente um homem livre.
   Gozava da paz dos mortos quando começou a ouvir os passos infernais. E aquela voz esganiçada que o fazia querer se jogar de uma janela.
  Lembrou-se então de, na próxima vez, tentar de uma mais alta.
  Bem mais alta.

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Tempo, taime e время

   É o seguinte: vocês vivem me chamando de ingrato, dizem que eu não volto e que eu não espero por vocês. Em primeiro lugar, eu gostaria de carinhosamente chamá-los de idiota. Qual a graça de alguém que passa sempre, e depois ainda por cima volta? Se eu sou tão precioso e valioso para você é justamente pelo fato de eu não voltar. Eu passo e já era. Além disso, você não tem moral alguma para me julgar. Estou nesse emprego há mais de 4 bilhões de anos e acho que já me familiarizei com a mecânica do negócio, coisa que você, em seus oitenta, noventa anos, jamais conhecerá. Então aqui vai uma dica de quem já viu muita coisa: me aproveite. Você mesmo vive dizendo que eu só passo uma vez, que eu não volto. Então me aproveite, oras. Quando eu passar, me abrace, dance comigo e simplesmente aproveite. E quando eu já estiver longe, não me desperdice pensando no que você poderia ter feito. Faça. Eu só passo uma vez mas estou sempre passando. Se você se arrependeu de algo que fez ou deixou de fazer, aproveite o agora para que não tenha de se arrepender de novo no futuro.
   E por favor, não me chame de ingrato. Ingrato é você que não aproveita o maior presente que a vida pode te dar, que modéstia à parte, sou eu mesmo. Pare de me culpar por você ser um incompetente, por você ter medo, por não ser feliz. Aproveite que eu estou sempre passando. Agora mesmo, saia daí e me pegue pelo braço. Se você vier comigo, tenho certeza que posso te mostrar coisas e lugares que você jamais imaginou existirem. Tudo o que você tem que fazer é vir comigo. Sem medo e sem olhar para trás.
   Feche os olhos e aproveite.
   Porque só acontece uma vez, e depois disso eu vou embora.
   Fui.
   E não volto mais.

domingo, 6 de maio de 2012

Futuro, sonhos e power rangers.

  O herói a ser retratado aqui atende pela alcunha de Alfredo. Um jovem que vivia pensando no futuro e na miríade de possibilidades e aventuras que estavam por vir. Pensava em várias delas, ansioso pelo dia em que elas chegariam.O fato é que pensava tanto no futuro que, aos cinco anos já sabia o que queria ser.
  - Pai, eu já sei o que quero ser quando crescer.
  - O quê, filho? - pergunta o pai, surpreso pela conversa do filho.
  - Um power ranger.
  - O quê?
  - Aquele herói da TV, sabe? Aí eu vou poder lutar com os monstros.
  Como o filho ainda era pequeno, o pai pegou leve na hora de tirar a ideia absurda da cabeça do pequeno, mas tentou deixar claro que sonhos não levam a lugar algum.
  - Mas filho, você não acha perigoso? Além do mais que você ficaria muito tempo longe de casa, e quem faria companhia para mim e pra sua mãe?
  O pequeno parou um pouco para pensar e viu que não era mesmo uma ideia tão boa.
  Alfredo cresceu, mas não abandonou seu espírito sonhador apesar da falha de planejamento do sonho anterior.
  - Pai, - começou o menino de agora nove anos que acabara de ganhar uma bicicleta nova - eu já sei o que quero ser quando crescer.
  - O quê, filho? - perguntou o pai tendo um déjà vu.
  - Eu vou andar de bicicleta. Agora que já sei andar sem rodinhas e consigo descer a rua da casa da tia Alda acho que eu já tô pronto. E ah, não precisa se preocupar, eu vou fazer companhia pra você e pra mamãe. Quando eu for andar eu não preciso ir muito longe não, eu fico na rua de casa mesmo aí eu vou estar pertinho.
  O pai ficou comovido em como o filho havia se preocupado com ele e a esposa, mas precisava tirar logo essas besteiras da cabeça do moleque, senão, sabe-se lá o que ele se tornaria.
  - Filho, mas e se um dia você cair e se machucar? Como eu e sua mãe ficaríamos? Você pode ser atropelado e quebrar uma perna ou algo pior, que Deus me livre. O papai só te avisa sobre isso, porque quer o melhor para você.
  Mais uma vez, o não mais tão pequeno sonhador parou para pensar e viu que realmente era um pouco perigoso. O Douglas, que morava na rua de cima, havia caído e precisou ir pro hospital. E Alfredo não gostava de hospitais.
  O tempo passou, Alfredo cresceu e agora tinha o plano perfeito.
  - Pai, eu já sei o que quero ser quando crescer.
  - O quê, moleque? - o pai achou que havia arrancado de vez essas besteiras da cabeça de seu filho mas pelo visto ele se enganara.
  - Jogador de futebol.
  Precisava cortar essas ideias da cabeça de Alfredo de uma vez por todas, portanto seria mais duro agora.
  - Alfredo, ma - e o pai foi interrompido.
  - Calma pai, já pensei em tudo. Apesar de ter de viajar pros jogos, isso é só no final de semana, então eu vou poder fazer companhia pra vocês dois. Ah, e não tem perigo nenhum porque todo mundo usa caneleira, então vocês não precisam se preocupar com machucados.
  - Filho - começou o pai de forma dócil - você gosta da TV que tem no seu quarto? Você gosta da casa, das roupas e da comida? - Alfredo balançou a cabeça concordando com todas as perguntas - Então, pra ter tudo isso é preciso dinheiro.
  - Mas pai, isso não é problema, olha quanto dinheiro o Ronaldo tem.
  - Tá, mas você sabia que mais de noventa por cento dos jogadores de futebol do Brasil ganham menos de quinhentos reais por mês? Como é que você vai sustentar a mim e a sua mãe ganhando pouco? E eu não tô te dando bronca, só quero o melhor pra você.
  O agora adolescente Alfredo percebeu que na vida é realmente difícil ganhar dinheiro fazendo o que se gosta.
  O tempo continuou passando e Alfredo, com dezoito anos, no último ano da escola, teve outro papo com o pai sobre futuro.
  - Pai, eu não sei o que quero ser quando crescer...
  - Alfredo, assim não dá! Como você vai sustentar a mim e a sua mãe, como vai cuidar de nós sem saber o que fazer? Eu já avisei pra você tirar essas besteiras da cabeça, não se trata de querer! E eu já vou logo avisando, filho vagabundo não vive debaixo do meu teto. E eu só falo isso pois quero o melhor pra você!
  Mesmo um tempo após um cabisbaixo Alfredo ter deixado a presença do pai, este ainda sussurrava pra si mesmo:
  - Só me faltava essa mesmo. Não sabe o quer quer fazer... Meu Deus, onde foi que eu errei com esse moleque?

domingo, 11 de março de 2012

Crítica (in)construtiva

 - Pai, o que é uma crítica construtiva? - Pergunta o garotinho com o típico entusiasmo de quando se tem cinco anos.
 O pai, que não perde uma oportunidade de impressionar o filho, fecha o jornal, arruma os óculos, solta um longo suspiro e finalmente diz: - Você quer saber o que é crítica construtiva? - O garoto concorda freneticamente com a cabeça.
 - Filho, crítica construtiva é quando você faz um comentário que ajude a pessoa a melhorar.
 O pequeno faz uma cara estranha, como quem não entendeu nada, mas prefere não admitir.
 - Entendeu, filho? - diz o pai com medo da resposta.
 - Então quer dizer que, qualquer crítica que eu fizer sobre alguém que possa ajudá-la a melhorar é uma crítica construtiva?
 - Sim. - o pai finalmente respira aliviado, e volta pro jornal.
 - Mas pai, então essa divisão entre crítica e crítica construtiva não é inútil? Porque, no fim das contas, qualquer crítica feita a alguém pode ser usada para levá-la a melhorar em determinado aspecto. Independentemente da forma com que se expõe o problema, cabe à pessoa refletir sobre ele para aprimorar seja qualquer for o objeto da crítica. Sendo assim, toda crítica é construtiva e essa divisão não passa de uma tentativa dos membros fracos da sociedade de escaparem da verdade sobre suas atitudes e trabalhos. Certo?
 O pai está com a boca aberta e completamente surpreso. Cinco anos, e já tem uma visão tão única das coisas. Esse meu filho é um gênio, pensa o pai orgulhoso de sua cria.
 - Se pensarmos dessa maneira - diz o pai - sim, toda crítica é construtiva.
 O pai volta pro jornal, planejando como contaria a todos sobre a inteligência do filho. Mas o filho continuava parado, meio escondido pelo jornal.
 - Pai, posso fazer uma crítica construtiva?
 - Claro, filho.
 - Você explica muito mal.
 E o pequeno vai embora, cuidar de seus brinquedos.