segunda-feira, 30 de abril de 2012

Obituário

      Pedro Gouveia (Tarzan Beeblebrox)
   1996 – 1432 (não se assuste com a aparentemente impossível data da morte)
  O que falar do Pedro? Não, não é uma daquelas perguntas que se faz levando as pessoas a refletirem com um sorriso idiota na cara sobre a grande pessoa que ele foi. É uma pergunta real, uma dúvida. O que falar sobre ele? O que ele fez? A primeira resposta seria: nada.
  Garoto regular, vida regular, altura regular, peso acima da média , inteligência medíocre e notas perfeitas.
  Desde pequeno sempre sonhou em se tornar diversas coisas. De dançarino do  É o Tchan! à assistente reserva do Buzz Lightyear. Não preciso comentar (quem conheceu sabe) que ele desistiu de todos os sonhos. Não que ele não tivesse capacidade, pelo menos não só por isso, mas sim porque dava muito trabalho. Desistiu de seus sonhos e seguiu o caminho mais fácil, o sonho de todo preguiçoso que não sonha mais: virou político.
  Como político também era regular. Fazia um, roubava dois, prometia dois e cumpria um. Mas é claro que com essa média de 0,5 ele fez um sucesso estrondoso sendo eleito e re-eleito como presidente do Brasil (foi nessa época que ele mudou o nome, algo relacionado a uma piada engraçadíssima). Mas ele acabou se cansando de simplesmente roubar dinheiro do povo porque era muito fácil, não precisava de esforço algum, e até mesmo ele, encarnação da preguiça, se cansou disso. As pessoas vinham até ele, davam seu dinheiro e agradeciam uma melhoria no salário que voltaria para ele por meio de impostos como se ele se preocupasse com a vida delas. Porém seria mentira dizer que ele se acomodou. Durante sua crise de meia-idade (que se deu lá por volta dos oitenta anos, pois era meio retardado) ele decidiu aproveitar a vida. Comprou uma máquina do tempo do gênio incompreendido da década eleito pela revista Táimes, Samuel.
  E partiu rumo ao relativamente desconhecido.
  Voltou no tempo, matou os dinossauros, livrou os hebreus do Egito, pregou e foi pregado (voltou no quarto dia, pois como vocês já sabem, ele era meio atrasado), dominou todos os impérios criando o Império Imperial (?) mas acabou falecendo quando estava prestes a revolucionar toda a humanidade mais uma vez. Se lembrava de alguma aula que teve sobre um tal de Newton cuja cabeça havia sido atingida por uma maçã ou algo do tipo e tentou fazer o mesmo. Uma melancia caiu na cabeça dele. Antes que algum espertinho diga que melancia não dá em árvore, deixe-me explicar. Ele pediu pro seu general subir no telhado de uma casa para jogar a melancia em sua cabeça, pois assim ele teria alguma idéia que por algum motivo modificaria de alguma forma a vida de algumas pessoas.
  E modificou.
  Não tivemos que conviver o resto de nossas vidas com ele.
  E este, foi com certeza o seu maior feito.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Amizade

  Ninguém disse que seria fácil.
  Ninguém disse que conseguiríamos, mas nada disso importa.
  Mesmo que aquele incômodo silêncio nunca acabe.
  Mesmo que todo o meu tempo seja gasto em vãs tentativas e o fracasso insista em surgir.
  Mesmo que toda a sorte de obstáculos apareça em meu caminho.
  Mesmo que eu corra até me esgotar sem chegar a lugar algum.
  Mesmo que eu sinta raiva, ódio, tristeza ou vontade de desistir eu continuarei em frente.
  Não porque espero sua ajuda nos momentos difíceis ou sua alegria quando eu estiver triste. Mas sim porque sei que, apesar de tudo, quando eu olhar para trás um sorriso surgirá involuntariamente em meus lábios, porque vocês estiveram lá. Em cada obstáculo, cada dificuldade, cada conquista e cada celebração vocês estiveram lá; algumas vezes perto e outras longe, mas vocês estiveram comigo e isso é tudo o que importa.
  Não peço promessas de eternidade, não peço fidelidade, não peço seu abraço ou seu sorriso. Peço apenas sua presença.
  Ela, por si só, já é mais do que suficiente.

domingo, 22 de abril de 2012

A vida em uma terra de papel

  Um dos melhores momentos do meu dia é quando abro um caderno e pego uma caneta - azul - e vejo aquela página branca clamando pela tinta, ansiosa pelas histórias que estão por vir.
  Eu vejo as folhas brancas como uma estrada de terra, daquelas que se estendem até perder de vista. No momento em que a caneta pousa no papel, foi dado o primeiro passo. A estrada ainda se estende à sua frente, e você sabe mais ou menos qual caminho deve percorrer, mas não tem certeza. Você sabe onde espera que a estrada te leve, mas de novo; você não tem certeza. Essa estrada é cheia de surpresas, alegrias e incertezas.
  Chegarão momentos em que você se cansará, e precisará se sentar para andar, enquanto noutros você quer simplesmente correr. E você corre. É aquele momento quando você tem certeza do que quer e cada segundo parece valioso demais para ser desperdiçado.
  E então você resolveu o problema, achou a resposta e finalmente tudo faz sentido.
  Até a próxima curva.

domingo, 1 de abril de 2012

Pessoas chatas, coisas legais

  Faz um bom tempo que venho tentando escrever sobre pessoas chatas, mas acabo inevitavelmente deparando-me com certos problemas, sendo alguns deles:
1. Existem pessoas chatas demais.
2. Falar sobre pessoas chatas é... chato.
3. Tenho problemas em falar sobre mim.
  Eu queria conseguir exprimir meus pensamentos sobre as pessoas irritantes com a mesma fluência de George Carlin, mas simplesmente não consigo.
  Existem tantas pessoas chatas que eu começo com os ambientalistas, passo pelos fanáticos religiosos, bombados de academia, ateus, eruditos e a lista continua. Esse é o primeiro problema que me atrapalha.
  O segundo é que falar sobre pessoas chatas acaba sendo chato, a não ser que você seja um gênio da comédia. A chatice é tamanha que acaba se espalhando e contaminando tudo ao seu redor. O que me leva a algo incrivelmente divertido e totalmente não-chato: A física. Podemos dizer que a chatice possui campo e força gravitacionais, como demonstrado na equação: Cc=C.c(delta)cC² - T, sendo C o tamanho da chatice, c a chatice, delta cC² o intervalo entre o início e o término da chatice e T um número qualquer que eu, como bom físico que sou, inseri na equação para garantir que você não entenda nada do que se passa. Agora, para seu deleite, um exercício básico para fixação do conteúdo:
  1)Dona Abrindoswalda possuía um gato de sete tetas, de massa 3. Dona Abrindoswalda costumava cantar músicas do Rouge em aramaico para seu gato. Sabendo que o Playstation 3 roda jogos de Playstation 2, qual seria a função de C em c² se o pijama de Dona Abrindoswalda for azul-bebê?
  E ainda existem pessoas que se atrevem a dizer que física e matemática são ciências exatas. A esses, peço que dividam 304 por 5 no papel, passo-a-passo.
  Já que entrei no âmbito escolar, gostaria de fazer algumas observações que sem a menor sombra de dúvida o levará a refletir sobre o quão extraordinário é esse presente que nos é dado e que as vezes acabamos dando pouco valor. A aula.
  Começarei pelas subjetivas.
  Artes.
  Questão: Sendo arte algo subjetivo, defina arte: 
  Correção após sua brilhante resposta: Sua resposta foi muito subjetiva, favor decorar as frases do livro.
  Literatura. Essa era a única matéria pela qual eu estava ansioso antes de chegar ao ensino médio. Adoro ler, e achei que literatura fosse isso. Achei que não precisaria me preocupar com essa matéria. Recuso-me a revelar minha nota.
  Questão de literatura: Leia o fragmento a seguir e responda o que se pede. "Estava eu em meu quarto." Explique os sentimentos, pensamentos, vestuário, crenças, corte de cabelo do eu-lírico relacionando isso aos acontecimentos que antecederam essa cena de modo que se coloque o quarto em evidência. (Boa sorte na psicografia!)
  As ciências naturais também são obra do tinhoso.
  Se o ponto de ebulição da água é 100ºC, como é que chove? A água de onde eu moro deve ser especial, porque sei que aqui não passa dos 40ºC.
  Geografia.
  Questão: Sabendo que a escala no mapa é 1:23973248723, que o Acre não existe e que o Bin Laden está na Rússia, dê as coordenadas da ilha de Lost.
  História.
  Questão: Com base no seu conhecimento sobre as cruzadas, explique o calendário maia e o milésimo gol de pelé.
  Acabei desvirtuando totalmente o assunto mas foi por uma causa boa.
  Terminei falando de coisas super legais.
  E que fazem total sentido.

sábado, 31 de março de 2012

Músicas antigas e pseudo-ativistas

  Uma vez estava lendo, não lembro o quê, de C.S Lewis em que ele enaltecia a importância de se ler obras antigas, de como elas nos influenciam e nos levam a pensar sobre o que há de errado na nossa sociedade atual. Ele falou sobre livros mas poderia muito bem ter falado sobre a música.
Assim como os livros, a música dá uma visão, por mais superficial ou breve que seja, da sociedade onde foi feita.
  Eu não gosto de escrever sobre isso pois tento abster-me de qualquer manifestação em assuntos considerados polêmicos ou importantes, pois pra mim, são em grande maioria extremamente entediantes.
  De qualquer forma, outro dia eu estava ouvindo Beatles, e acabei prestando um pouco de atenção na letra.
You'll let me be your man
And please, say to me
You'll let me hold your hand."
  A primeira coisa que me veio à cabeça quando fiz a comparação entre essa música e as de hoje em dia foi:  Onde é que isso se perdeu? Quando, em que momento da história partimos de segurar as mãos para "passar nela"?
  É certo que em alguns pontos, a nossa sociedade melhorou. Temos liberdades que as pessoas sequer sonhavam antigamente, mas a que custo? Foi realmente necessário deixar a decência para trás? Não me intrometo nesses assuntos, pois como já disse, os considero extremamente chatos. Deixo isso para os pseudo-ativistas que pareceram brotar de repente, prontos para fazer a diferença.
  O jovem hoje gosta é de sentar a bunda na cadeira, entrar no twitter e salvar o mundo. Tudo isso sem sair de casa, tranquilo no ar condicionado, tomando um suco gelado. Incapazes de adotar uma causa por conta própria, contentam-se em repassar links e mostrar sua indignação, repetindo o que leram muitas vezes sem pesquisar a fundo o assunto, fazendo papel de trouxa.
  Se tivesse de escolher um papel para o jovem hoje, com certeza seria esse, o de trouxa.
  Indignado com os escândalos políticos, com o aumento do preço do ônibus e a falta de ciclovias ele não deixa barato. Chega em casa revoltado, e com razão. Senta na cadeira e liga o computador, pronto para representar seu papel.
  Dia após dia.                                
                                                                               

sábado, 24 de março de 2012

Uma história

  Eu não quero um gênero, uma definição ou uma análise. Eu quero uma história.
  Eu não quero épico, lírico ou drama e não me importa ritmo, metro ou rima. Eu quero uma história.
  Elegia, soneto, ode ou écloga não importa. O que eu quero é uma história.
  Não preciso de uma tragédia para me comover, ou de comédia para rir, tudo o que eu preciso é uma história.
  Não preciso dissecar um poema para enxergar sua beleza, ou recorrer a rótulos para saber do que se trata, porque não importa.
  Eu não busco romance, poesia ou crônica, eu busco uma história.
  Não leio gêneros, eu leio histórias, não leio poesias, mas sim sentimentos.
  Não preciso saber o número de versos, ou conhecer a terza rima para enxergar a grandiosidade de uma viagem reservada apenas para as almas que já se foram. Do inferno ao paraíso, o gênero, metro e rima ficam para trás, meros coadjuvantes, pano de fundo do palco em que a grande protagonista é a história.
  Tudo isso, gêneros, definições, classificações e rótulos não são dignos de estudo. Pode ter uma métrica perfeita, ritmo e rima maravilhosos, e mesmo assim serão apenas classificações, componentes que trabalham para algo maior.
  Deixemos tudo isso de lado, e estudemos o que importa. Estudemos as histórias.

sábado, 17 de março de 2012

A beleza do tempo

Era uma sexta-feira. Ou um sábado. Ou uma quarta. Mas não importava, não aqui. Vim para cá justamente para isso, fugir das correntes do tempo. Aqui ele simplesmente não importava. Vou vivendo, um dia após o outro, passe tempo ou não. Assim que descobri que a vida é curta demais para desperdiçá-la, fugi da cidade. Aqui a única fila que existe é a do gado voltando do pasto, guiado pelo cavaleiro em seu cavalo, com o pôr do sol como paisagem.
 Eu tinha acabado de trazer o gado do pasto, e o Sol estava maravilhoso. Por mais que eu tente, é impossível explicar. Desde onde o céu encontrava a terra até acima de minha cabeça, o céu estava laranja, vermelho e azul. As nuvens passavam, tentando diminuir a velocidade para apreciar aquela perfeita obra de arte. Eu ainda precisava ir à vila comprar velas, pois as minhas haviam acabado, e não é nada bom ficar no escuro. Eu gosto de ler antes de dormir, e fico acordado até tarde, o máximo que eu conseguir, o que deve ser por volta das oito da noite, mas como eu disse, aqui, isso não importa. Decidi deixar as velas para depois.
 Sentei-me ao pé de uma árvore e fiquei olhando a coisa mais bonita que eu já havia visto. Era exatamente por esses momentos que eu havia me mudado. Estava cansado de acordar e não ver o Sol nascer por ter de correr até o trabalho, de depois do almoço não poder parar e sentar ao pé de um poste (árvores boas são difíceis de achar em São Paulo) e aproveitar aquela sombra para descansar e ver as nuvens passarem, ou de não ver as estrelas por causa da poluição. Nesse momento, sentado, a vida fazia sentido, e meus olhos abriam-se cada vez mais, querendo gravar aquele momento para sempre na memória. Sinto até um pouco de dó das pessoas que passam a vida tentando explicá-la, pois nem que vivessem mil anos o seriam capazes de fazer. Certas coisas não se explicam, se sentem, e a vida é só mais uma delas.
 Meu olho agora ardia, e o Sol já estava quase se escondendo atrás de um monte. Fiquei pensando em como é que pode nossos olhos arderem diante de algo tão belo.
 Levantei, e fui, sem pressa, à vila para comprar as velas. Quando cheguei na vendinha, já estava escuro, e o Seu Raimundo estava fechando, mas com o bom humor de sempre me atendeu e batemos papo. Aqui as pessoas não têm pressa. Mesmo assim, despedi-me dele e tomei o caminho de volta. Acendi uma vela para não pisar em buracos. Gostava da chama e das sombras, que hipnotizavam com sua dança. Ao meu lado, passou uma moça, e quando a luz da vela iluminou seu rosto, meus olhos arderam e o tempo começou a importar. Meus olhos arderam muito mais do que haviam ardido quando olhei para o Sol, e implorei ao tempo para que ele parasse naquele instante, mas não parou, talvez ressentido pelo fato de eu não ligar para ele.
 Não importa o que os estudiosos dizem, mas nossos olhos não ardem por causa da luz ou por qualquer outro motivo, e sim por causa da beleza.
 Vocês não sabem nada. Mas acho que isso vocês já sabem.