sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Campanha anti-literatura

                                             Diga não à literatura.
   Não compre ou leia qualquer livro, papel, guardanapo, manual de instruções ou até mesmo rótulo de refrigerante em hipótese alguma. Queime, rasgue, picote, livre-se de qualquer possível fonte de contato com literatura. É um fato cientificamente comprovado pela ACA (Associação das Ciências Associadas), ler faz mal à saúde.
   Após alguns estudos, cientistas chegaram à conclusão de que a literatura é tão viciante quanto qualquer outra droga (crack, cocaína, LSD) e ainda mais devastadora. Os livros, designação do receptáculo da droga, apresentam ideias, laboriosamente elaboradas pelos autores (quem produz a droga) que têm como função penetrar na mente do usuário e devastar qualquer preconceito, conceito, pré ou pós concebido, deixando para trás nada além de caos e destruição. A literatura alega que seu principal atrativo é apresentar o melhor e o pior do ser humano, com seus sonhos, tentações, erros, acertos, arrependimentos, orgulhos, sentimentos e todo e qualquer tipo de coisa capaz de criar indagações e incertezas sobre coisas que eram antes tidas como certas. Leia sob o risco de se tornar uma criatura pensante. Através desses artifícios baixos, a literatura torna o usuário distraído, diminui a concentração e por consequência a eficiência. A pessoa que lê (vulgo culto) tem mais dificuldade em se concentrar no seu trabalho, principalmente se for um que não a apraza, e não é isso o que a sociedade precisa.
   A literatura é potente, porém seu efeito é de curta duração, o que faz com que o usuário esteja constantemente em busca de mais, e assim se cria um ciclo infindável, que chega a tal ponto que o usuário passa a se tornar dependente da droga, precisando dela até mesmo para algo simples como sobreviver. A literatura é extasiante justamente pelo fato de não passar de uma mentira, que deixa o usuário em um estado de quase nirvana e depois o joga de volta à vida. E nem mesmo a vida passa impune a essa droga. Alguns livros alegam que ela é ruim, injusta, brutal e violenta, o que qualquer não-leitor sabe ser mentira. A vida é boa, repetitiva e simples, desde que Deus fez o mundo e o Diabo tomou o controle, e os livros nada mais são do que uma patética tentativa de controlar o usuário ao dar a ele liberdade de pensamento.
   A literatura não acresce em nada a vida de ninguém. O raciocínio é simples. Os livros apresentam ideias, objetos, lugares que o indivíduo antes não conhecia, logo, quanto mais se lê, mais se descobre coisas sobre as quais não se sabia, portanto os livros nada mais são do que uma forma de tornar o usuário ainda mais ignorante expondo a ele a própria ignorância. Em alguns livros, a droga pode ser encontrada cheia de enfeites e adornos, que podem transparecer nas palavras complicadíssimas ou formatos inusitados, que só servem para o usuário se sentir inferior ao autor, e é portanto também causa de baixa auto-estima.
   Para você, que já é usuário e está lendo este artigo, não se sinta indignado. Nós não esperamos que você simplesmente abra mão de uma forma de "entretenimento" e por isso aqui apresentamos a você a televisão, que é considerada por muitas pessoas que adoram TV como um meio muito mais divertido do que o livro. Com linguagem fácil e acessível, canais parecidíssimos, você não precisará se preocupar na hora de escolher o que vai assistir, afinal é tudo a mesma maravilha.
   Esperamos que esse artigo expondo os malefícios da leitura seja suficiente para mantê-lo na realidade, ou trazê-lo de volta a ela, caso já seja usuário. Precisamos de pessoas passivas e apáticas na hora em que excremento acumulado após a digestão comece a voar. Não tenha medo de mostrar este artigo para outras pessoas, pois contratamos a pessoa que melhor escreve piores textos, trazendo assim segurança a todos os que buscam um pouco de informação.
   Mas para por aí.
   E volta (vai) pra televisão.

2 comentários:

  1. Adoreeei o texto! Engraçado e muito bem construído! *-*

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  2. Só pra constar: crianças que leem livros de ficção arrasadoras muito cedo, podem sofrer de dupla personalidade enquanto crianças que são fixadas em televisão se tornam dramáticas, surreais e alienadas.

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